ENTENDENDO O SEU CÃO

A NATUREZA DOS CÃES


Os cães são animais sociais, vivem em grupos familiares, gostam de hábitos e de ambientes equilibrados. A estrutura hierárquica é fundamental para manter a ordem e a segurança da matilha. A mãe é a primeira referência de disciplina, atenção e cuidado dos filhotes. 

É preciso ter bom senso para educá-los, nas brincadeiras e na forma de comunicação. 
                      
Todos os cães aprendem da mesma maneira, através da repetição das situações vividas, mas são indivíduos únicos, com características genéticas que influenciam na forma que combinam as informações recebidas. Ou seja, a mesma situação pode gerar comportamentos distintos entre cães.

A forma de comunicação dos cães é realizada através de alterações posturais do corpo e da face, sons, olhares e toques físicos.

Para poder ensinar aos cães as regras de convivência no nosso ambiente, precisamos nos comunicar de forma compreensível a eles, através de sons, gestos, olhares e postura física, orientando o que podem ou não fazer, aonde podem ir, onde devem ficar, com quem podem interagir e de que forma devem fazer isso.

Os cães passam por diversas fases emocionais até se tornarem adultos e, em cada uma delas, apresentam comportamentos característicos. Conhecendo essas fases conseguimos manter os instintos sob controle e melhorar a convivência com eles em nosso ambiente.

FASES DE DESENVOLVIMENTO DOS CÃES



FASE NEONATAL (0 a 2 semanas): o filhote recém nascido ainda não ouve, não enxerga e não controla suas necessidades. Depende totalmente dos cuidados da mãe, a qual reconhece pelo cheiro. 

FASES DE TRANSIÇÃO E RECONHECIMENTO (entre 2 e 4 semanas): nessa fase o filhote aprende a rastejar para se mover, já consegue ouvir e os olhos se abrem, mas sua visão ainda é difícil. Surgem os primeiros dentes. A partir da 3ª semana o filhote começa a usar seus sentidos de audição e visão e pode reconhecer objetos e movimentos. É muito importante que o filhote conviva com sua mãe e irmãos para sentir-se seguro ao experimentar tais percepções sensoriais que ocorrem de forma muito brusca. O ambiente em que vive deve ser calmo e equilibrado, para que ele possa assimilar o que acontece e o que sente sem traumas. 

FASE DE SOCIALIZAÇÃO (entre 3 e 12 semanas): 


- INTRAESPÉCIE (dos 21 aos 49 dias) é nesse momento que o filhote aprende comportamentos característicos de sua espécie. É fundamental que o filhote permaneça com sua matilha até esse momento, para o aprendizado da hierarquia, da disciplina e da higiene. 


- INTERESPÉCIES (dos 49 aos 84 dias): período no qual o cão aprende a socializar com animais de outras espécies, incluindo os seres humanos. Nesse momento também deve ser apresentado tudo que fará parte da vida do cão, novas situações, locais, objetos, sons, coleiras, etc... Nessa fase o aprendizado é permanente. 

PRIMEIRA FASE DO MEDO (entre 2 e 3 meses): qualquer trauma sofrido pelo cão nessa fase, terá grande impacto em seu futuro. Essa fase coincide com a fase de socialização interespécies. Cuidado ao expor o cão às pessoas, crianças e outros animais, especialmente em situações que ele demonstre medo, recuando ou fugindo.

FASE JUVENIL (entre 3 e 6 meses): nessa fase, o cão vai testar a paciência daqueles que interagem e convivem com ele. Através de brincadeiras, o cão estará testando sua posição na nova matilha de humanos, mordendo, puxando, pulando, chamando a atenção, latindo quando confrontado. Período ideal para iniciar o treinamento de obediência básica. Nesse período também acontece a troca da dentição e o filhote pode mostrar-se mais agitado e irritadiço. 


Essa fase também é marcada pela curiosidade do filhote em explorar os ambientes que frequenta, podendo distrair-se facilmente e não atender quando chamado.

FASE DA ADOLESCÊNCIA (entre 6 meses e 1 ano e meio): nesse período os cães estão iniciando a produção dos hormônios sexuais, as cadelas estão aptas a entrar no cio e os machos começam a levantar as patas para urinar. Eles se tornam mais independentes, podendo surgir comportamento territorial através da marcação com urina e testes de hierarquia. Reforce positivamente a estrutura hierárquica e o treino de obediência. 


Esse período coincide com a SEGUNDA FASE DO MEDO, quando o cão pode demonstrar insegurança diante de pessoas e situações conhecidas. Evite forçar a aproximação do cão com pessoas ou situações em que ele demonstre medo, deixe o cão relaxar e só então prossiga com a aproximação. 


FASE DE MATURIDADE (entre 1 e 4 anos): a maturidade física estará completa entre 1 e 2 anos, mas as características individuais ainda estão em desenvolvimento, dependendo do porte do cão. Os de porte pequeno tendem a amadurecer mais cedo, mas o meio ambiente também influencia nesse processo. Nesse período os cães são bastante ativos, independentes e curiosos, mantenha o controle das situações utilizando o controle físico com a coleira e a guia para manter o cão fora de perigo. 


Entre 1 ano e meio e 4 anos também ocorre a maturidade social, a personalidade do cão está formada e a partir daí ele mantem seu papel no grupo em que vive. Se ele viveu com uma estrutura hierárquica bem definida e suas necessidades atendidas, mantendo a disciplina e os vínculos emocionais positivos, seus comportamentos se tornam mais previsíveis e equilibrados.


TERCEIRA IDADE (a partir dos 6 anos): esse período pode ser marcado com algumas alterações de comportamento e dependendo da raça, do porte e do estilo de vida que o cão levou, pode ser precoce ou tardio. A partir de determinado momento, podemos observar uma queda motivacional no cão, tanto física como mentalmente. Alguns comportamentos são derivados de doenças ou por disfunções cognitivas. Os órgãos já não funcionam como antes e o cão não tem tanta energia, mas é fundamental manter as estimulações físicas e mentais para proporcionar uma melhor qualidade de vida nessa fase, sempre respeitando suas limitações. 


As pessoas têm hábito de comparar suas emoções às expressões emocionais dos cães, mas devem levar em conta a diferença dos motivadores e no fato de relacionarmos emoções à razão ou a objetivos predefinidos. Nossas emoções são mais parecidas com as dos animais quando agimos por impulso, quando deixamos “nossos instintos” primitivos em primeiro plano, o que muitas vezes nos causam surpresa quando agimos assim.

A expressão das emoções dos cães se dá pela reação aos estímulos que recebem na interação com os outros seres vivos ou com o meio ambiente. São reações instintivas, relacionadas com as informações que receberam ou aprendidas e repetidas pela experiência de situações semelhantes anteriores.

Os instintos são inatos, mas podem ser trabalhados, potencializados, enfraquecidos e canalizados para objetivos predefinidos pelos adestradores. É fundamental, para tanto, que essas pessoas tenham conhecimento sobre o que pretendem fazer e como fazer para não causar danos físicos ou psicológicos nos animais.

Seja qual for a raça, a idade ou o porte, as necessidades instintivas dos cães são as mesmas e a responsabilidade pelo bem estar e educação dos animais domésticos é, exclusivamente, das pessoas que os escolheram para conviver!